O câncer é um termo aplicado a um conjunto de doenças nas quais as células não respondem mais aos controles de crescimento. Uma única célula que se divide de forma anormal, eventualmente forma uma massa chamada de tumor. Um tumor pode ser benigno e não-lesivo, como a verruga comum, por exemplo. Uma neoplasia maligna (tumor maligno) é uma proliferação de células de crescimento rápido que progressivamente infiltram, invadem e destroem o tecido circundante e podem sofrer metástase.
A transformação de uma célula normal em célula cancerosa inicia com a lesão do DNA. Essa lesão pode ser causada por carcinógenos químicos (como foi mostrado na postagem anterior), por luz UV, vírus ou erro de replicação. As mutações que podem levar às transformações ocorrem em genes que regulam a proliferação e a diferenciação celular (estes são chamados de proto-oncogenes), suprimem o crescimento (chamados de genes supressores de tumor), direcionam as células irreparavelmente lesadas para apoptose ou reparam o DNA lesado.
Em resumo, o câncer é causado pelo acúmulo de mutações em genes envolvidos no crescimento e na diferenciação normal. Essas mutações dão origem a células cancerosas capazes de proliferação desregulada autônoma e infinita. Uma alteração na estrutura química do DNA, ou das sequências de base de um gene é, portanto, um requisito absoluto para o desenvolvimento de câncer.
Mas, como ocorrem essas lesões de DNA que levam a mutações?
A função do DNA depende da presença de vários grupos químicos polares nas bases de DNA, capazes de formar pontes de hidrogênio entre as fitas ou outras reações químicas. Os átomos de oxigênio e Nitrogênio nas bases de DNA são alvos de uma variedade de eletrófilos. Carcinógenos químicos podem reagir com esses eletrófilos causando mutação no DNA. As alterações estruturais no DNA também ocorrem por meio de radiação e luz UV, a qual causa a formação de dímeros de pirimidina.
Outra forma de mutação que aumenta a velocidade de crescimento das células é a amplificação de seus proto-oncogenes. Essa amplificação é o aumento de cópias do gene na célula. Se mais genes estão ativos, mais proteínas do proto-oncogene será produzida, aumentando a velocidade de crescimento das células.
Um vírus oncogênico que infecta a célula também aumenta a capacidade de tal célula se dividir. O oncogene do vírus pode ser integrado ao genoma da célula hospedeira, permitindo a produção de proteínas do oncogene anormal. A célula pode ser transformada e exibir um padrão anormal de crescimento. Em vez de inserir um oncogene o vírus pode simplesmente inserir um promotor forte no genoma da célula hospedeira
Por último, e não menos importante, as mutações em enzimas de reparo são, também, causas de câncer. A lesão no DNA está ocorrendo constantemente por exposição à luz do sol, radiação ambiental basal, toxinas e erros de replicação. Se as enzimas de reparo de DNA estão ausentes, as mutações se acumulam de forma muito mais rápida, e uma vez que uma mutação se desenvolve em um gene regulador de crescimento, pode se originar um câncer.
REFERÊNCIAS:
Bioquímica médica básica de Marks / Colleen Smith, Allan D. Marks, Michel Lieberman ; tradução Ângela de Mattos Dutra ... [et al.] – 2.ed. – Porto Alegre : Artmed, 2007.
